• Dustin Poirier vai às lágrimas em coletiva após o UFC 242.
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    • Outubro 26, 2019, 23:09:36
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Dustin Poirier não teve como esconder a emoção pela derrota para Khabib Nurmagomedov na luta principal do UFC 242, realizado em Abu Dhabi no último sábado. Com lágrimas nos olhos, o americano respondeu a todas as perguntas dos repórteres na coletiva de imprensa após o evento, e foi transparente ao dizer que as dúvidas sobre o que poderia ter feito a mais para vencer o assombrarão pelo resto da sua vida.

- Estou acostumado com as adversidades. Mas terei que viver o resto da vida me perguntando se eu poderia ter me esforçado mais, se poderia ter defendido algumas quedas, ou se eu poderia ter feito mais força quando estava junto à grade. Essas perguntas é que vão me assombrar para sempre. A derrota, não. Eu já perdi antes.

Poirier não poupou elogios ao russo, mesmo admitindo ter sentido uma diminuição na sua potência a partir do terceiro round.

- O cara é muito bom. É um campeão mundial. Talvez eu pudesse ter feito mais. Eu estava preparado para essa luta, estava pronto para lutar 25 minutos. Ele fez exatamente o que eu achei que ele faria. Claro que vou me martirizar, e eu e a minha família somos os únicos que vamos lidar com isso. São muitas as perguntas com as quais vou ter de conviver pelo resto da minha vida. Eu sabia que ele estava vencendo os rounds, porque estaca me derrubando e me dominando no chão, mas senti que, mesmo apertando muito forte, aos poucos ele começou a perder um pouco a pressão.

O americano revelou que, mesmo tendo sido atingido diversas vezes de forma dura, não estava realmente machucado no fim dos dois primeiros rounds, que eram, na sua previsão pré-luta, os que Khabib seria mais dominante.

- Vindo para a luta, eu achei que a luta ficaria a meu favor do fim do terceiro round em diante. Não que eu estivesse planejando desistir nos dois primeiros, mas sabia que seriam os rounds mais duros. Voltando para o córner no fim desses dois rounds, percebi que os golpes mais fortes dele, mesmo doendo bastante e me cortando, não estava me machucando de verdade. Achei que, quanto mais a luta se prolongasse, mais escorregadio eu ficaria. Mas luta é isso. É duro...

O momento em que Dustin Poirier mais se aproximou da vitória foi no terceiro round, quando conseguiu encaixar uma guilhotina muito justa em Nurmagomedov. Na sua opinião, no entanto, um erro técnico pode tê-lo tirado a chance de vencer o russo.

- A guilhotina estava muito bem encaixada. Vou me perguntar pelo resto da vida por que eu não montei a guarda completa quando estava aplicando o golpe. Joguei apenas uma perna sobre ele, para que ele não se livrasse. Eu deveria ter feito a guarda completa. Não sei por que deixei a canela direita no estômago dele. Se eu tivesse feito a guarda completa, ele não conseguiria rolar e aliviar a pressão.

O estilo pouco ortodoxo de Nurmagomedov também minimizou, na opinião de Poirier, a sua chance de ganhar ritmo na luta e poder se impor no combate.

- Quando eu o acertei, pouco antes de ser colocado para baixo, achei que não conseguiria nada com a minha trocação. Ele é muito difícil de prever, porque baixa a cabeça e dispara uppercuts, e não tem um boxe ou kickboxing ortodoxos. Era sempre um soco de cada vez, ou ele se aproximando e jogando uma joelhada ou um uppercut. Não consegui ter um ritmo. A movimentação dele me impedia de soltar combinações. Sei que pareço estar dando um monte de desculpas, mas estava muito preparado para essa luta. A verdade é que não fiz o que era necessário para vencer. Essa derrota está doendo de verdade.

O americano também evitou falar sobre o seu futuro. Sem conseguir conter as lágrimas, Poirier admitiu que a técnica de Nurmagomedov o impressionou mais do que a sua força física, que classificou como "nada fora do comum".

- É difícil de dizer agora. Esta foi a minha 41ª luta, e tenho apenas 30 anos de idade. Já passei por muita coisa na minha carreira, mas agora não sei qual o meu próximo passo. Honestamente, achei que nas dez semanas de preparação e treinos, que as estrelas estavam se alinhando para que essa fosse a minha noite. Achei que era o meu destino. Não quero ficar chorando diante de vocês, mas tudo isso representava muito para mim. Ter uma performance como a que eu tive, esperando a cada round que eu fosse começar a me livrar dele e começar a impor o meu ritmo, é frustrante. Mas o equilíbrio e a distribuição de peso que ele tem contra a grade, quando está por cima, são muito grandes. Fisicamente, não senti que ele fosse nada fora do comum. Já enfrentei caras mais fortes que ele. Mas a técnica e o equilíbrio dele são realmente excelentes. De verdade, achei que voltaria para casa como o campeão mundial. Agora vou voltar para casa e conversar com a minha esposa. Ainda tenho muita lenha para queimar - finalizou.

https://sportv.globo.com/site/combate/noticia/dustin-poirier-vai-as-lagrimas-em-coletiva-apos-o-ufc-242-duvidas-vao-me-assombrar-para-sempre.ghtml

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