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Futebol (Geral) => Futebol Brasileiro Serie A, B, C e D => Tópico iniciado por: Afonso em Setembro 30, 2019, 21:48:21
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A passos calmos, Luan atravessa o gramado do CT Luiz Carvalho e deixa transparecer com um sorriso no rosto a felicidade com o atual momento na vida pessoal e profissional. O camisa 7 do Grêmio retomou a titularidade justamente na fase mais decisiva do clube na temporada e aposta na retomada do nível de 2017 para ser um dos protagonistas do time de Renato Gaúcho no duelo contra o Flamengo, às 21h30 da próxima quarta-feira, pelo jogo de ida da semifinal da Libertadores.
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O camisa 7 do Grêmio conversou com com exclusividade com a reportagem da RBS TV após o treino da última sexta-feira. Projetou o confronto contra o Flamengo, falou sobre a amizade com Gabigol, revelou que esteve próximo de deixar o clube e também seu mais mais novo sonho: ser pai. E, claro, manifestou confiança em repetir o bom desempenho que rendeu a ele a eleição de melhor jogador da América em 2017, na conquista do tri da Libertadores.
– Ninguém desaprende a jogar bola. Tenho totais condições de repetir o que fiz em 2017, de ajudar o Grêmio de alguma maneira – diz Luan.
No grupo profissional desde 2014, Luan sempre foi peça-chave com todos os treinadores que passaram pelo clube. Acumula bons momentos e recordes: é o maior artilheiro da Arena, com 41 gols, e foi o principal jogador do time no título da Libertadores.
Aos 26 anos, está na sexta temporada no Grêmio, o único clube da carreira profissional até o momento. Assume o lugar do time titular deixado por Jean Pyerre, e em grande estilo. Já soma nove gols e nove assistências em 31 jogos na temporada. O objetivo não poderia ser outro: conquistar o tetra da Libertadores e recuperar o reinado da América.
Confira trechos da entrevista com Luan:
GloboEsporte.com – Você foi o melhor jogador e campeão da Libertadores em 2017, perdeu o lugar no time do Grêmio e agora volta a ser titular justamente na fase decisiva de mais uma Libertadores. Você acha que pode voltar a jogar naquele nível? Como comparar o Luan de 2017 para 2019?
Luan – Acho que para mim não muda muito. É mais a questão de retomar a confiança, sequência de jogos. Ninguém desaprende a jogar bola. Tenho totais condições de repetir o que fiz em 2017, de ajudar o Grêmio de alguma maneira. Seja com gols, assistências, jogadas, entrega na marcação. Não é meu forte, mas tento ajudar. Meu pensamento é somente esse, de ajudar meus companheiros. Assim como foi em 2017, a importância deles para que eu ganhasse esse prêmio, conquistasse o título, esse ano também é fundamental a gente fechar novamente como equipe. Tenho certeza que temos muitas condições de conquistar (a Libertadores) de novo.
Desde que você subiu pro profissional em 2014, você sempre foi protagonista. Estamos falando de seis temporadas seguidas. Só que em abril deste ano, depois da derrota para Universidad Católica, no Chile, o Luan foi para a reserva. O que aconteceu ali? Era um momento ruim?
Toda a equipe não jogou bem naquele jogo em que perdemos. Mas acabei saindo. Mas não fiquei bravo. Quero ver o bem do Grêmio. Com o time ganhando, todo mundo ganha. Claro que quero estar sempre jogando. Mas procurei focar, ver as coisas que estavam faltando. E procurei trabalhar para quando a oportunidade surgisse novamente, eu estivesse preparado.
"Ninguém desaprende a jogar bola. Tenho totais condições de repetir o que fiz em 2017, de ajudar o Grêmio de alguma maneira. Seja com gols, assistências, jogadas, entrega na marcação".
Com a lesão do Jean Pyerre, você voltou para a equipe titular. Como é o convívio entre vocês dois?
Todo mundo quer jogar. Muitos falaram que eu estava mal, que eu estava isso, aquilo, mas é deixar claro aqui que a nossa equipe estava bem. Isso mostra a força do nosso grupo. Claro que (a titularidade) foi por uma lesão. Ninguém queria, pela pessoa que ele é. Mas estou preparado, me preparei o ano todo. Depois da Copa América fiquei um tempo a mais parado que os demais. Me prepararei bem.
Além de títulos, você tem algumas outras marcas como artilheiro da Arena, Rei da América (melhor jogador do continente na eleição do jornal uruguaio El País). Como você convive com isso?
É um prêmio que foram poucos que venceram. Isso pra mim serve como motivação, para cada dia melhorar, buscar conquistar de novo. Conquistei, então, sou capaz de conquistar de novo. Isso tem que servir de motivação para mim sempre. Poder ganhar prêmios individuais, o principal conquistar títulos, isso me motiva cada vez mais.
Recentemente, o Grêmio publicou nas redes sociais uma brincadeira com você. O filme "O Senhor dos Anéis” virou o “O Senhor dos Olés - O retorno do Rei da América”. O que você achou?
Dei risada, né. Engraçado. Criatividade deles foi muito boa. Mas eu prezo pela minha volta, de estar podendo começando as partidas. Nessa fase de Libertadores em 2017 também voltei nessa fase, na semifinal. A gente tem um grupo muito forte também. Flamengo também tem uma grande equipe e está num grande momento. Nós confiamos muito no nosso trabalho, que a gente vem fazendo nos anos anteriores. Espero que dê tudo certo.
Em 2017 você abriu uma proposta de atuar no leste europeu, ficou e foi campeão da Libertadores. Ainda tem o sonho de jogar na Europa?
Sonho todo jogador tem o sonho de disputar uma Champions, esses campeonatos. Mas sempre falei que sou muito feliz aqui no Grêmio, não me falta nada. É um clube que a gente sempre está brigando, conquistando títulos, isso motiva cada dia mais. Se for para eu sair, será no momento certo. Se Deus quiser, vai me colocar num outro clube, mas estou com a cabeça tranquila aqui no Grêmio.
Esse ano, novamente, você recebeu sondagens de clubes europeus. Em algum momentos, esteve perto de sair do Grêmio?
Estive. Teve algumas coisas que não chegaram de concreto para mim. Meu empresário sabia disso, o Grêmio sabia disso. Mas acabou não dando certo. Mas meu foco sempre foi no Grêmio. Quero estar bem aqui sempre. Sempre falei que isso não era uma preocupação de sair logo, que o meu objetivo era poder conquistar títulos no Grêmio.
Contra o Flamengo, você vai encontrar o Gabigol, com quem jogou junto na seleção olímpica. Vocês também são amigos fora do campo. Como ficam os contatos antes da decisão?
Mantenho, mantenho. Ele é um grande amigo que desde então sempre manteve contato. Nos vimos várias vezes. Sempre que dá a gente se fala por WhatsApp. É um amigo que guardei de lá, tenho muito carinho por ele, torço pelo sucesso dele, pela pessoa que é. Mas ali dentro de campo, eu defendendo o meu, ele defendendo o dele. Depois a gente pode conversar. Mas dentro de campo é cada um defendendo o seu.
Rolou alguma aposta pro jogo de quarta-feira?
Não, ainda nem falei com ele sobre isso. Mas "tamo" aí (risos).
Você saiu um tempo das redes sociais. Como é sua relação com as redes sociais, com a torcida, com críticas. Algum problema te atrapalhou?
Não. Acho as redes sociais nunca me incomodaram. Sempre fui tranquilo com isso. Nenhuma opinião vai mudar meu jeito de ser, meu jeito de agir, de jogar no Grêmio. Então, claro que é sempre bom você ouvir elogios. Mas levo as críticas com naturalidade. Ver se é uma crítica construtiva. Tem muita gente que se esconde. É muito fácil. Mas isso nunca mudou meu jeito de ser. Nem olho muito, não sou de postar muita coisa.
Você entrou recentemente para a vida dos casados. Já passa na sua cabeça ser pai? Tem esse sonho?
Meu maior sonho. Acho deu uma entrevista um ano atrás, dois anos atrás. É meu maior sonho. Meu primeiro era dar uma condição melhor pra minha mãe, pra minha família, depois era conquistar títulos no Grêmio. Isso já se concretizou. Então, agora meu maior sonho é poder ser pai.
* Colaborou Lucas Bubols
https://globoesporte.globo.com/rs/futebol/times/gremio/noticia/luan-revela-que-esteve-perto-de-deixar-o-gremio-e-fala-sobre-volta-ao-time-ninguem-desaprende.ghtml